sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Aos amigos e parentes que não vejo

Estou com saudades suas, precisamos nos encontrar para eu poder devolvê-las. Foi como esquecer um CD: Estou com um disco seu, precisamos nos encontrar para poder devolvê-lo. A saudade é uma posse, propriedade não de quem sente, mas de quem ficou para trás. É um algo que se entrega a pessoa para que ela tenha a obrigação de rever o amigo ou parente, nem que seja para devolver a saudade. Esse é um jogo usual entre os amigos de longa data. Entregam um pedacinho de saudade presa em uma gaiola sempre que se despedem. Junto vai um saco de tempo para alimentar o bichinho. A cada ponteirada do relógio a barriga da saudade cresce e aquela que era apenas um filhote fica um animal grande e feroz. Como pertence ao amigo que ficou no passado, é hora de procurá-lo para devolver. Na verdade, saudade é objeto de empréstimo. Um produto de escambo: "Troca-se saudade por uma presença". Entre amantes, saudades é só uma desculpa para se falar a cada meia hora. Nesses casos esse sentimento toma forma de celulares e pequenos objetos que por um descuido proposital ficou com outra pessoa. Ao invés de dizer: "Seu telefone ficou comigo, preciso devolvê-lo". É melhor dizer: "Estou com saudades suas".

Um comentário:

Leilane Menezes disse...

lindo, lindo, lindo
como sempre.
=*