quinta-feira, 19 de março de 2009

Andar do malandro

Andar de malandro é trunfo. Estratégia de conquista: para cada uma, um andar. Eu já tive vários. Com a idade vem a descoberta, o malandro não tem só andar, tem papo, jeito de colocar a mão no bolso, cruzar os braços. Malandro é noir, um clichê bem feito. É a educação por sagacidade igual ao canalha criado por Carpinejar. Às vezes me olho no espelho e pergunto "Malandro, por onde você anda?" O espelho retruca: "Malandro não anda, valsa na rua". Eu insito. "Cadê você malandro? Não aparece faz tempo". O espelho joga um chapéu panamá sob a testa, me olha com o canto do olho e diz. "Me perdi na rua rabo de saia e nunca mais achei o caminho". Eu repondo prontamente com um "mentiroso!". "Antes te achavam fácil nessa rua, hoje, não mais". O espelho me defronta com uma cara de descobriram meu segredo, dá um sorriso e coça a barba por fazer. "Malandro vive em estado permanente de paixão, mas só ama uma mulher". Perguntei de forma sarcástica. "E você é apaixonado por quantas fora a que você ama?". Com um olhar ofendido o espelho apoiou o pé em uma cadeira, tirou o chapéu e bateu com ele na coxa. "Não quantas, mas o quê? Vivo enamorado da vida que me embebeda de realidade". Olho mais uma vez par ao espelho mas não digo nada. Ele me olha de volta e a única coisa que vem a minha mete é que malandro é um clichê bem feito.

Um comentário:

L. Kruczynski disse...

malandro que é malandro tem amor à vida. rs.