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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Mais amor

Amo você é a melhor coisa que inventaram para explicar minha vontade de você sem sobrar nenhuma palavra ou faltar qualquer sentimento. Simples assim

Amor

Muita gente escreve sobre amor. A maioria com autoridade intoxicante, como se de cada pedacinho dele tivesse provado, só para mais na frente descobrir um amargar diferente, um doce que não se conhecia e voltar a escrever sobre o amor. Falar de amor é coisa sem controle porque amor dói com analgesico, sara sem remédio, desobedece na cara de pau, sem vergonha nem ressentimento. Não gosto de definir nem dar conceitos, mas intoxicante é uma palavra gostosa o suficiente para explicar o amor. Ao menos para explicar o apaixonado. Nesses casos de amor, porém, o melhor é não explicar nada.

Nunca vou te explicar porque te amo. Mas se você insistir, posso listar todos os seus defeitos e no final dizer "te amo". Meu lado brega trincou, não sei justificar. Te amo porque o seu olhar enche meu dia de luz... Não, descritivo demais. Que tal um eu te amo porque você me faz ver o dia mais colorido ou qualquer outra coisa... Também não. Amor é aquilo que acontece quando você chega perto de mim. Sabe aquilo? É igual um susto. O coração acelera e depois quase para. O ofato aguça. Tipo revelação de comédia romântica. Sei lá, hoje não está dando certo falar de amor. Amanhã tento mais.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Amizade

Esses dias tenho pensado muito sobre amizade e descobri que dos pouquíssimos amigos que tenho alguns carregam o título de amigo por hábito, talvez até por motivos que me fogem a compreensão. Testei minha solidão nos piores momentos ao extremo. Em um determinado período fui só para festas, bares, cinema e para toda sorte de lugares. Foi quando os pensamentos se tornaram os melhores companheiros. Cansei de brigar por amigos. Cansei de ser atencioso e companheiro. Cansei. Vou pra rua procurar amigos que queiram dividir algo. Vou pra rua para não ser apenas eu na maior parte do tempo.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Meu avô

Vivi mil vidas sem ter certeza de como. Pode parecer besteira, mas quando lembro daquele velho lembro de mim aos 5, aos 17, aos 30, aos 80. Ele me deu direito ao seu passado e ao meu futuro. No nascimento, herdei seu pé chato, os olhos pequenos, a mirabolância dos sonhos e talvez a vida que lhe enchia os pulmões. Na verdade, eu era ele sem ser. Por isso, ele não podia ser ao mesmo tempo que eu. Herdei também a cara, o tipo físico e ainda assim nem filho sou. Ele era apenas meu avô e isso dá uma saudade. Quando penso, tenho certeza que o laço sanguíneo era o mínimo que nos ligava, faz quase cinco anos que morreu e sinto que ele ainda vê o mundo pelos meus olhos. Definitivamente sou ele, assim como sou o avô do meu avô e o cara que há quase 500 anos atravessou o Atlântico com algum sonho maluco ou uma culpa mortal e um pedaço de papel na mão. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

...

Não distribuo minhas certezas, guardoas para suas dúvidas.

Oi

Oi

...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

esquisito

a vida é esquisita, dá voltas e provoca esbarrões e encontros inesperados. promove também felicidades e alegrias momentâneas. antes, achava que as cores estavam meio apagadas, que acidentes agradáveis não mais aconteceriam, mas a vida é teimosa e às vezes não adianta lutar. hoje, por mais que eu fuja, a vida impõe saudades. mas isso eu resolvo, comprei uma caixinha com chave. lá vou trancar os resquícios do passado. não para esquecê-los, mas para saber onde estão quando eu quiser recordar, principalmente quando toda a mágoa tiver ido embora.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Acho que sou taurino

Esses dias estava em um bar com uma amiga e ela me disse, sem nem perguntar quando nasci, que sou taurino. Disse que estava escrito em mim. Nunca acreditei nessas coisas, mas o que ela afirmou em seguida fez sentido. Me descreveu como o tipo que em relacionamentos mergulha de cabeça. Precisa de envolvimento e se entrega sem pensar duas vezes. Exagera em vários aspectos da vida. Meus amigos me definem de forma semelhante, mas em uma única palavra: exagerado. Às vezes eles usam duas: sem limites. E eles falam isso desde que nos conhecemos. Estou tentando ponderar mais meus sentimentos, mas eles me devoram. Por várias noites durmo como se fosse oco, mas quando acordo, estou com uma vontade louca de correr o mundo. De ver o que ninguém viu e andar sob o fio da navalha. Testar todos os limites da minha humanidade.

Coisas que precisava te dizer

Não sei se existe inferno astral. Não sei se para cada coisa boa que surge na vida tem de vir uma ruim apenas para que o equilíbrio não seja quebrado. Sei apenas que te perdi quando tudo o mais dava muito certo. Te amei de um jeito louco, desesperado em alguns momentos e, consequentemente, desastroso. Te amei com todo o exagero que me é peculiar. Errei deixando de ser quem eu era para tentar ser alguém melhor. Só queria te agradar. Você me inspira um romantismo que em vários momentos me fez mal. Quando terminamos, fiquei sem chão, perdi o rumo, a cabeça. Mergulhei em uma tristeza quase absoluta. Sem sono e sem paz, troquei a cama pela mesa do bar. Pela dormência do álcool. Fingia bem estar todos os dias. Achei que você me desprezava, não sentia nada por mim. Estava enganado e demorei para perceber. Os últimos meses têm sido como morrer aos pouquinhos. Se para você todo dia é Dia das Bruxas, para mim é sexta-feira 13. Se me perguntam porque acabou, não consigo achar resposta. Se me perguntam porque me odeia tanto, também não sei o que dizer. Só lembro que no primeiro beijo fui arrebatado. No seguinte, vivi 50 anos de felicidade em poucos segundos. É brega, mas foi exatamente isso que senti. Uma coisa que sobe pela pele, debaixo pra cima, deixa a barriga gelada por um instante e o coração disparado. Depois tudo fica calmo e o gosto é de felicidade. Felicidade de reencontro, de nostalgia, de uma vida bem vivida. Apesar de qualquer desentendimento, quando estávamos juntos, estava tudo bem. Foram muitos bons momentos, mais do que ruins. Quando terminamos você levantou a guarda de tal maneira que me vi sem opção, levantei também a minha para sobreviver. Por três vezes eu baixei e por três vezes você me derrubou. É difícil aproximar-se de você. As respostas nunca estão certas. Sua argumentação nunca é desmontada, mesmo quando faz sentido que ela desmorone. Depois de mais de dois anos, não tive nem o benefício da dúvida. O direito de dizer "não foi assim". Eu queria tentar mais uma vez. Mesmo se eu soubesse que ia dar tudo errado, ainda assim eu queria. Tenho a impressão de que pelas nossas costas alguém ri muito da gente. Alguém que vê você acreditando em alguma história mirabolante, nojenta. Você, eu não trapaceei. Aprendi a dizer a verdade te amando. Não consigo mais mentir para você. Não entendo como não acredita em mim. Não faz sentido na minha cabeça não acreditar. Com você era honestidade. Antes de terminarmos, eu estava planejando alugar um apartamento. Ia ter um lugar meu para você se sentir mais a vontade no meu espaço. Tentava melhorar nosso relacionamento. Hoje, ainda vou sair da casa dos meus pais, mas infelizmente não terei sua companhia. Estou de coração partido. Primeiro, porque te amo; segundo, porque virei um repulsivo "calango" para você. Não sei como evolui do melhor namorado do mundo para isso. Nunca quis te magoar e é estranho não falar com você. O fato é que eu não soube lidar com o fim, com você dizendo que não queria mais e dessa vez não tem jeito. Como na música, meu mundo caiu. Reagi de uma maneira que nem eu esperava. De uma maneira ruim. Mantive a frieza e foi a minha perdição. Das muitas besteiras que fiz na vida, meu maior arrependimento foi ter te perdido da maneira como perdi. Não se engane quando disserem que depois que você me deixou eu cai na putaria ou fiquei bicho solto e nervoso. As pessoas exageram, esquentam as histórias. Eu dei foi muito trabalho para os meus amigos que tiveram de me carregar bebado para casa. No último e-mail que trocamos acabei sendo ríspido. Você não merecia aquilo. Acho que foi até uma tentativa de convencer a mim mesmo de que não te amo mais, mas não funcionou. Não é carência. Cuidado para não confundir. Um amor tão exagerado como o que sinto por você não morre de uma hora para outra. De vez em quando ainda sonho que a gente se acerta. Quando te vejo na redação vejo que é só um sonho. Alguma coisa muito esquisita e grave deve ter acontecido para você me odiar tanto. Não consigo imaginar o que pode ter sido. Se foi durante nosso relacionamento, me desculpe. A carta é longa mas eu precisava desabafar. Exorcisar meus demônios. Não me odeie. Sou só um desastrado que ainda te ama.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Não me interprete mal
meu sofrimento guardo pra mim
A saudade, diluo em doses
De mesa em mesa
de bar em bar
esvazio meu coração
em copos rasos
em corpos vazios
na solidão das mutidões

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Não me importa a rima
só minha falta de paciência para elas
Não me importa nada
Pelo menos hoje, nada importa
nem meu coração vazio

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domingo, 19 de setembro de 2010

Versos de mim

Findou a tinta da caneta
Ela que ia a desenhar
pessoas azuis, um sol azul e
grama azul, só desenhou
exageros e ilusões
Agora não mais, a caneta secou

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Tatuagem é alma vazando pra fora
Transbordando em corações,
anjos, demônios e dragões
Algumas almas dizem tudo num rabisco
Outras nasceram mudas

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Eu sou um Salvador Dali
Pintado em noite de bebedeira
Torto como o verso analfabeto
Igual ao porre que todo mundo finge não ser

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O eixo da minha vida é monumental
Cabelo preto, olhos grandes
e não se engane, curvas perigosas

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Meu coração é um atentado terrorista

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Troco o andar por quatro rodas
o tum do peito pelo tac do relógio
e o orgasmo no apito da fábrica
Esqueço a humanidade na mesa de trabalho
E a vida me esquece, para sempre


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Meu ouvido não é eclético
É pansexual
Se prostitui fácil
com rock, samba e pop
Só exige em troca
moeda que nada compra
Prazer, prazer e prazer

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quinta-feira, 19 de março de 2009

Andar do malandro

Andar de malandro é trunfo. Estratégia de conquista: para cada uma, um andar. Eu já tive vários. Com a idade vem a descoberta, o malandro não tem só andar, tem papo, jeito de colocar a mão no bolso, cruzar os braços. Malandro é noir, um clichê bem feito. É a educação por sagacidade igual ao canalha criado por Carpinejar. Às vezes me olho no espelho e pergunto "Malandro, por onde você anda?" O espelho retruca: "Malandro não anda, valsa na rua". Eu insito. "Cadê você malandro? Não aparece faz tempo". O espelho joga um chapéu panamá sob a testa, me olha com o canto do olho e diz. "Me perdi na rua rabo de saia e nunca mais achei o caminho". Eu repondo prontamente com um "mentiroso!". "Antes te achavam fácil nessa rua, hoje, não mais". O espelho me defronta com uma cara de descobriram meu segredo, dá um sorriso e coça a barba por fazer. "Malandro vive em estado permanente de paixão, mas só ama uma mulher". Perguntei de forma sarcástica. "E você é apaixonado por quantas fora a que você ama?". Com um olhar ofendido o espelho apoiou o pé em uma cadeira, tirou o chapéu e bateu com ele na coxa. "Não quantas, mas o quê? Vivo enamorado da vida que me embebeda de realidade". Olho mais uma vez par ao espelho mas não digo nada. Ele me olha de volta e a única coisa que vem a minha mete é que malandro é um clichê bem feito.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Ouvidos cegos

Mandei o telefone se calar, mas meus ouvidos tatiavam o silêncio. Ouvidos cegos procuravam um barulho, contra as ordens que mandei esperavam sua voz. Mal acostumados aos apelos do seu corpo ouviram pele, ouviram boca, ouviram céus me rasguem inteira. Calem-se ouvidos cegos, parem de me dizer. Calem-se ouvidos cegos, não quero ouvir suas vontades no silêncio, seus barulhos mudos, suas verdades que me convém, seus sonhos e devaneios surreais. Calem-se ouvidos que me falam de saudade, mesmo de quem está perto mas não está comigo. Calem-se ouvidos que me chamam ora louco ora sóbrio. Eu só quero ouvir uma música em braile para que não pertubem mais.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Boa noite

Gosto quando você atende o telefone e sabe que sou eu, é um oi que pede minhas unhas na sua coxa e uma devoção para velar teu sono. Admiro a brabeza que se disfarça de doce sempre que encontra meu peito e tenta negar o sono, mas aceita carinhos e uma cara de bobo que escondo no seu despertar. Esse é meu jeito de dizer boa noite estando longe. Uso as palavras como um beijo, minha presença no seu colchão. Desaprendo a sonhar todas as noites se não lhe digo ao menos um dorme bem.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Aos amigos e parentes que não vejo

Estou com saudades suas, precisamos nos encontrar para eu poder devolvê-las. Foi como esquecer um CD: Estou com um disco seu, precisamos nos encontrar para poder devolvê-lo. A saudade é uma posse, propriedade não de quem sente, mas de quem ficou para trás. É um algo que se entrega a pessoa para que ela tenha a obrigação de rever o amigo ou parente, nem que seja para devolver a saudade. Esse é um jogo usual entre os amigos de longa data. Entregam um pedacinho de saudade presa em uma gaiola sempre que se despedem. Junto vai um saco de tempo para alimentar o bichinho. A cada ponteirada do relógio a barriga da saudade cresce e aquela que era apenas um filhote fica um animal grande e feroz. Como pertence ao amigo que ficou no passado, é hora de procurá-lo para devolver. Na verdade, saudade é objeto de empréstimo. Um produto de escambo: "Troca-se saudade por uma presença". Entre amantes, saudades é só uma desculpa para se falar a cada meia hora. Nesses casos esse sentimento toma forma de celulares e pequenos objetos que por um descuido proposital ficou com outra pessoa. Ao invés de dizer: "Seu telefone ficou comigo, preciso devolvê-lo". É melhor dizer: "Estou com saudades suas".

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Não quero sexo

Hoje eu não quero sexo, quero misturar você com brigadeiro. Quero ser os efeitos que ele causa no corpo, um orgasmo gastronômico para a boca, ouvidos e olfato. Se puder, misturo também minha mão com teu seio, o toque com sua pele, teu arrepio com minha boca. Isso é fazer brigadeiro, misturar desejo com seu sim, "me arranca a roupa" com vontade de morder. Fazer brigadeiro é ser o chocolate, é juntar os pecados capitais em luxúria e gula, é querer ser um motivo para o seu prazer.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Palácio do Buriti


O Brasil não tem rei, mas têm palácios – o da Justiça, o do Planalto e outros. A capital do país é palaciana. Ostenta prédios de traços artísticos recheados de gente de todas as grandezas. Gosto do palácio do Buriti, não daquele prédio do governo. Refiro-me a uma obra desconhecida, de um senhor apelidado Buriti e do barracão levantado por ele em Taguatinga.A beleza de Brasília não se resume aos prédios e ruas bem desenhadas, o que é bonito em Brasília é o povo.

O palácio do senhor Buriti era belo, não na arquitetura, mas na gente que freqüentava aquele barraco, lugar que o tempo e os freqüentadores deram o nome de Palácio. No Brasil realmente não tem rei, mas no palácio do Buriti, cavaquinho é majestade e percussão tem título de nobreza. E os majestosos sambistas de outrora e de hoje eram evocados quase todas as noites. No natal cantavam Noel, nas sextas iam de Cartola e o samba que era carioca nascia às margens dos poderes da república e se fazia brasiliense.Brasília foi feita de cariocas, maranhenses, goianos, a junção dos povos brasileiros, obra de engenharia magnífica que faz do Planalto Central o mais brasileiro dos lugares.

Os traços que Brasília seguiu tornaram-na hoje, cidade com maior Índice de Desenvolvimento Humano do país. Humanidade tão desenvolvida que há alguns anos expulsou Buriti do Palácio a murros e pontapés. Derrubaram o barraco alegando ali serem terras públicas.Buriti não toca mais samba, perdeu o cavaquinho e a alegria no despejo, havia feito o palácio por que achava estar construindo em terras da União: Brasília, terra da união dos povos brasileiros. Mal sabia que União era o Estado. Agora sabe pelo menos, que Índice de Desenvolvimento Humano fica no Plano Piloto e que na periferia tem índice de violência humana.

domingo, 2 de novembro de 2008

Sexo e audição

O primeiro sentido a ser afetado no sexo é a audição. A pessoa fica surda. Coisa que só acontece quando há um encontro, não um esbarrão qualquer - um novo big bang causado pelo leve toque de um dedo sobre a pele. Somente em seguida vem o arrepio e já é tarde demais. A surdez se converte em som, em uma música que alguém já chamou de lubrificante. Um contra-baixo pode ser escutado ao longe e e ele toca um jazz ou um blues inédito, aquele som que te invade e te faz querer pular. Você está dentro de um carro, não escuta nem vê a polícia a bater no vidro. Está trancado em um banheiro e não escuta os pedidos do gerente para parar. Você grita na sala de casa enquanto seus pais dormem ao lado e o mundo também ficou surdo. As bocas se mexem sem emitir som algum, a única coisa é aquela música na sua cabeça e você também quer gritar um grito mudo. Abre a boca, enche os pulmões de ar e solta um barulho que não existe. O ouvido rouba a voz e incita o arrepio. O ouvido ensina os corpos a dançar.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Só quero um momento

Palavras para quê? Elas limitam minhas ações e impedem que eu eu lhe beije a boca loucamente e arranque nossas roupas. Palavras para quê? Minhas, suas ou de alguém que imponha a lei de não se amar a todo instante, de não se querer a todo momento, de não se ter a qualquer hora. Crime deveria ser esperar a noite, esperar a quietude, esperar qualquer coisa para chocar minha vida com a sua. Se um dia você me disser "mais tarde", eu adianto o relógio. Se disser "o momento passou", eu o atraso. O meu tempo é o agora para não termos uma data fixa para nos celebrarmos. O nosso tempo não passa e a todo canto eu quero arrancar um momento seu, seja no banheiro, na sala, na rua - eu só quero um instante de todos os segundos, de cada minuto e de todas as horas.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O amor tem prazo de validade

O amor tem prazo de validade. A gente nunca sabe ao certo quando ele acaba, mas todos estão fadados a terminar. Seja com o fim da vida, enterrado em um caixão. Seja em uma mentira mal-contada. Alguns amores chegam ao fim ao mesmo tempo que uma relação sexual. Outros se esvaem simplesmente, como um pavio de vela que se apaga no sopro de um velho que faz aniversário. Todos os amores e paixões tem prazos de validade. Os eternos são os mais curtos. Os classificados como caprichos mais duradouros. Nunca se sabe a data em que ele vai terminar. Semelhante a uma loteria, qualquer um dos dias que habitam os calendários pode ser o fim. É a mesma relação de óbviedade que a morte tem para os que fingem não ter medo dela: para morrer só basta estar vivo. Para chegar ao fim só basta ter começado.